domingo, 30 de novembro de 2008

Studio Leotard

A primeira visita ao estúdio do Victor Fomine

Como minha amiga Camila já tinha me mostrado as fotos do lugar e me explicado as possiveis maneiras de chegar até lá, não fiquei tão perdido e foi tudo até sussa.
A entrada do estúdio dele fica ao lado do Bingo Hochelaga, eu desci na estação l'Assomption mas poderia também ter descido na Joulliete e pego um ônibus.
Na porta tem um adesivo de soldadinho de chumbo, é bem engraçado, e é um grande complexo com várias empresas, fábricas e tem até um ginásio que o pessoal aluga para jogar hockey.
Quando finalmente cheguei ao lugar (parece um labirinto esse local), a primeira pessoa que vi foi o senhor Fomine lonjeando uma aluna no trapézio em balanço. Fui muito bem recebido, e com meu francês de neanderthal consegui me comunicar com ele e me apresentar e dar as lembranças que eu trouxe do Brasil.
Ele é uma simpatia de pessoa, muito simpatico e gentil, fez questão de me apresentar todo mundo, e algo que me chamou muito a atenção foi a diversidade de pessoas de vários lugares do mundo que frequentam esse espaço para treinar com ele e o Yuri, o meu professor.
A esposa do Victor, Elena Fomine, também fica por lá às vezes, ela é professora de técnicas aéreas da ENC Montreal, ela trabalha no estúdio também, ela faz a parte artística dos números e trabalha às vezes com algumas meninas a parte de flexibilidade.

Esperei alguns minutos, pois ele tinha me dito que estavam terminando as duas aulas, a dele e a do Yuri, e logo mais poderíamos conversar. Foi então que começou as trapalhadas...

O Yuri não domina tanto o francês assim, foi difícil a gente conversar e combinarmos as primeiras aulas e horários, nos ultimos meses eu fiquei só estudando francês pois sabia que a grande maioria daqui só fala francês e, em especial, tanto o Victor como o Yuri só falam francês.
Teve um momento em que eu estava com a ajuda de uma canadense e uma australiana que estavam tentando me ajudar na comunicação com o Yuri, com uma eu tentava falar em francês e com a outra em inglês, que sufoco... Mas graças à Deus no final deu tudo certo e agendamos as primeiras aulas.


Gente do Mundo todo

Algo que para mim foi muito interessante, foi que em poucos dias em que fui à este espaço [uns quatro dias], pude ver pessoas de diferentes nacionalidades:

- uma francesa, a Marion, que fez dois anos na ENC da França e parou tudo para vir treinar aqui;
- um outro francês, o Adil Rida;
- a australiana Emma [olha... como balança bem! A mina arrasa];
- uma californiana que treinava faixas com Yuri e balanço com o Victor;
- Miguel, da cidade de Lima do Peru que num sábado estava fazendo equílibrio de mãos com o Yuri;
- Leng, um tailandês aluno de faixas e parada do Yuri;
- uma brasileira chamada Aline;
- Alexei, garoto russo que trabalha do Kooza, espetáculo do Cirque du Soleil, estava de férias e veio treinar com o Yuri [garoto forte demais sô!];
- Elena Zanzu, italiana que faz balanço com o Victor, também pesquisadora na área de circo;
- Sasha, é tipo da "casa", dá aulas de contorção e faz a parte artística de números, ela criou, coreografou e trabalhou no número de contorção do Kooza e balança com o Victor;
- e o resto que não sei!

Isso sem contar as outras pessoas que não conversei ou não vi e, obviamente, os canadenses.

Eles são extremamente pontuais, tanto para começar como para terminar, são muito rígidos com disciplina e treinamento, se seu treino começa às 17h30, e você não chegou ou não está pronto, azar. Irá terminar às 18h30 e pronto.
Aqui é um aluno atrás do outro, não tem muito tempo para ficar conversando ou atrasando a aula, os caras trabalham muito mesmo. Os caras são responsáveis por toda a parte de circo de nível profissional do Canadá, e, por extensão, do Soleil; digo isso porque muitos dos alunos formados pela ENC do Canadá, não fazem nem audição, do número de formatura eles já vão para algum espetáculo.
Isso sem contar os inúmeros artistas que são de outros países e vem para cá treinar com eles para se aprimorar, ou até mesmo alguns artistas do Soleil que estão com alguma lesão, normalmente quem faz acrobacia que lesiona joelho ou tornozelo, fica por aqui treinando faixas com eles.
Tem ainda também outro tanto de galera que já é formada, já faz parte de grupos internacionais [Cirque Eloize, Cirque Plume, Cia. Feria de Musica só para citar alguns], que depois de um tempo, resolvem vir para cá para se aperfeiçoar.

Obviamente fiquei chapado com o nível técnico das pessoas daqui, é algo absurdo, esqueçam os vídeos de "iutubi" ou até mesmo do próprio Soleil [só estou falando vídeos do Soleil não porque eu idolatre, mas porque é o que a grande maioria tem acesso, o que adiantaria eu ficar falando do Eloize, Cirque Plume, do pessoal do NICA?], aqui a coisa é complicada...


Sobre o espaço

Muito alto e com excelente estrutura para fazer aéreos em balanço [corda marinha, trapézio em balanço, tecido marinho...] ou Faixas aéreas [para balançar, girar, voar...], tem uma altura excelente e o espaço é bem amplo, mesmo quando os dois estão trabalhando, é possível voce treinar sozinho em algum canto.
Aqui tem vários trapézios [da Barry! que luxo...], um tecido, uma corda lisa... Mas o forte aqui é mesmo o trapézio em balanço, faixas aéreas e equilíbrio sobre mãos.

O sistema de segurança e de lonja do Victor é bem interessante: sistema de cordas com roldanas e mais não sei o quê, ai facilita para ele segurar... É uma verdadeira aula ficar vendo ele dando aula e como ele faz todo processo de aprendizado de alguns truques, aqui eles também tem uma espécie de aparelho para facilitar o entendimento da técnica de piruetas em aéreos em que os alunos ficam apoiados sobre ele com uma lonja com giro para rotações.
Ele usa também a lonja de dois pontos, para poder usar o cinto com giro.

Mais tarde eu falo um pouco mais sobre as aulas, o pessoal daqui e relato as minhas primeiras aulas com o professeur Yuri Bozyan.

Ai...

sábado, 29 de novembro de 2008

Meus colegas de casa


Um pouquinho do Brasil aqui

Na verdade nem parece que estou no Canadá e vou falar um pouco porquê: moro na casa de um quebecuan que alugou um quarto para um amigo canadense que é chileno.
E aqui na TV eles só assistem canais de lingua espanhola, e a trilha sonora? Milton Nascimento, Geraldo Vandré, Pixinguinha, Patápio Silva, clássicos da MPB, Silvio Rodriguez, musicas andinas e da América do Sul de modo geral.


Apresentando Normand

Normand Raymond, quebecuan de lingua materna francês. Trabalha como tradutor e sabe falar e escrever em quatro idiomas: francês, inglês, espanhol e português.
Ele é um cara apaixonado pela cultura sul americana, ele toca musica andina e latina e atualmente tem dois grupos de musica latina, um é o Acalanto (http://www.acalanto.org/) e o outro Aukan. É impressionante, ele tem mais de trinta ou quarenta tipos de flautas, grande parte delas feita por ele mesmo.
Cara bem simples, de boa, sussa, fala muito bem todos os idiomas, só no portugues que às vezes não sabe uma palavra ou outra, ou então não faz um uso mais popular ou normal em frases e conjugações.
Detalhe: ele estudou portugues sozinho, através de um livro de gramatica dos anos 60, isso é que é vontade...
Outro dia fui vê-lo tocar com seu conjunto, Aukan, numa festividade realizada pela comunidade chilena em Montreal, com intuito de arrecadar fundos para a construção de uma obra artistica em memória de Salvador Allende. Foi muito interessante ver como as pessoas de outros países da América Latina são politizados e conscientes, pelo que me informei e explicaram, Salvador Allende foi o primeiro presidente da história que foi eleito democraticamente e de caráter socialista, o que obviamente irritou o Tio Sam, que mais uma vez interferiu no quintal dos outros e ajudou, estimulou e financiou a ditadura do Pinochet.
Salvador Allende foi morto.
As pessoas se lembram disso e tudo que significou e o que representa.
Igual ao nosso "glorioso" não?

Um dia desses ele gravou um tipo de CD demo solo, com ele cantando e tocando violão.
Em tempo: o instrumento principal são as flautas, mas canta e toca violão, aliás, que violão... Ele tem um José Ramirez! Que som.


Apresentando Tayo

Gustavo Jara, ou melhor, o Tayo. Explicando, o diminutivo de Gustavo seria Tavo ou Tavito, mas seu vô não gostava do som de Tavo e preferiu chamá-lo de Tayo.
De origem chilena, mas com cidadania canadense, mora no Canadá há mais de trinta anos, veio para cá com dezenove anos.
Ele, assim como seu amigo Normand, fala quatro idiomas: frances, ingles, espanhol e portugues. Só no portugues que ele se perde às vezes, o mais engraçado é que ele tem sotaque de portugues de Portugal!
Tayo possui várias habilidades: trabalha com manutenção e reparo de computadores, faz traduções e cozinha... Vou falar uma coisa, estou aprendendo vários pratos com ele, ele cozinha não bem, mas muuuuuito bem! É uma coisa, eu já aprendi a fazer arroz mexicano, aprendi os segredos de como fazer um bom "steak" (e temperá-lo com cogumelos e vinho branco...), virei um exímio fazedor de omeletes (ok, às vezes a cara não sai bonita mas continua gostoso), aprendi a receita de camarões com atum da Mama Jara (mãe do Tayo) entre outras coisinhas interessantes.
Ele domina vários tipo de cozinhas: vietnamita, italiana, mexiana, chilena, quebecuan entre outras.
Estou tomando cuidado para não exagerar aqui...
Assim como seu amigo Normand, ele é também é apaixonado por música, mas ele é mais eclético: é fã de guitars heros (como eu era quando jovem, no meu início na música) como Steve Vai, Joe Satriani, Yngwie Malmsteen, John Petrucci, Paul Gilbert entre outros do mesmo naipe. Vários dvds e cds do G3, do Malmsteen, Vai, Satriani, Pink Floid, encontrei até o Dr. Sin!
No final do ano ele estará voltando para sua terra natal, o Chile.


Estranha sensação

Assim que cheguei aqui foi um choque devido à vários fatores, mas algo que me chamou a atenção, foi que ao mesmo tempo em que me estava do outro lado do continente, eu me sentia muito em casa e à vontade até com o modo de funcionamento das coisas aqui (com relação à infraestrutura daqui, o sistema de transporte é algo que mais me deixou feliz) eu me senti fazendo quase que uma viagem ao meu passado pessoal: desde que comecei a entrar no mundo do circo, me afastei um pouco da música por diversos motivos (como questão de tempo e condições para poder tocar), e, ao chegar aqui me vi novamente na época da Unesp, da ULM Tom Jobim, do Conservatório de MPB de Tatuí e mais antigo ainda, dos meus desejos adolescentes de ser um "guitar hero": pelo Normand que me lembrou a parte da MPB, do Choro, do Samba e de todos os grandes musicos e instrumentistas brasileiros; e pelo Tayo pela parte do hard rock, do metal, do blues...
Um tem um arsenal de flautas de diversos tipos e um senhor violão José Ramirez, e o outro tem um violão elétrico Takamine, um guitarra semi acústica e... Uma Ibanez JEM - 7! Sim, um lindo modelo do Steve Vai todo branquinho com marcação de rosas no braço, era outro sonho de consumo meu.
Sim, eu também tenho uma JEM modelo Steve Vai, mas o meu é de 1989, da época Whitesnake dele, essa branca é mais poética...

Vamo aqui, seguindo em frente e treinando.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Primeiro dia aqui

Aeroporto de Montreal

Assim que cheguei em Toronto, para fazer escala, algo já me chamou atenção: a organização e pontualidade deles, e não é que o avião chegou em Montreal em cima da hora?
Não preciso dizer como fiquei perdido quando cheguei em Montreal, ainda mais com meu inglês sofrivel e francês pior ainda...
Comunicando-me que nem índio, consegui comprar um cartão para ligações internacionais (que achei que precisava para ligar para o Normand, o dono da casa onde estou morando, mas na real não precisava, bastava colocar 50 cents...), e depois de ter perguntado para mais ou menos umas três pessoas (o problema não é falar, é entender o que eles falam), e tentando por diversas vezes fazer uma ligação num telefone publico, depois de uns dez minutos consegui ligar para o Normand e dizer que já estava esperando-o.


As primeiras impressões

Assim que cheguei, tentei arrumar minhas coisas e já fui comprar um cartão de transporte para poder conhecer as redondezas e, mais tarde, ir ao estúdio do Victor e conversar com ele e o meu professor - técnico, Yuri Bozyan.
É fantastico o sistema de transporte daqui: como estava no final do mês, Normand me explicou que não valeria a pena comprar o bilhete mensal, então comprei o bilhete semanal (hebdo CAM), e paguei CAD 19,25. Muito simples: voce pode usar o sistema de transporte quantas vezes quiser e como quiser (onibus e metro) durante uma semana, ou seja, é muito bom... Não tem limites de uso durante uma semana.
Outra coisa que me chamou muito a atenção, são os metros: sem exagerar, tem quase um cada esquina, na casa em que estou, por exemplo, fica entre duas estações: Beaubien e Rosemont, dá para ir andando de boa até qualquer uma delas e a pé não demora mais de dez minutos se você for lerdo.
Algo que para mim, um brasileiro paulista, foi assustador: nos pontos de ônibus tem placas dizendo o horário em que cada ônibus passa, e o pior, é que eles passam mesmo no horário! Impressionante...

Uma cidade subterrânea
Assim que me senti um pouco orientado e com a mínima noção de espaço, resolvi dar uma volta pelas redondezas e conhecer um pouco do lugar onde estou, então me informei e fui conhecer alguns shoppings que ficam no metro.
Aqui, em quase todas estações de metro tem pequenas lojas ou lanchonetes dentro das estações ou ainda barraquinhas onde se vende de tudo: desde relogios até bijuterias, óculos ou artigos para frio.
Até agora conheci dois grandes shoppings - metro: o Artwater e o McGill, e olha, é impressionante como são grandes, achei que ia ser tranquilo e que não me perderia, pensei comigo: "será tranquilo, não vou sair de dentro do metro mesmo, não terá como me perder!".
E não é que me perdi? Vocês não tem noção de como são grandes, o primeiro que fui visitar foi o McGill, e para minha surpresa, tinha seis andares!!! Sem contar as ramificações e outras partes que estão no nivel da rua e do metro, tem muitas lojas e lugares para comer, teve uma hora que eu fiquei tão perdido que não consegui encontrar a saida para voltar para o metrô.
Eles são tão organizados que todas as notas fiscais vem com o preço do produto e depois vem o preço com a taxa, tudo aqui voce paga taxa, mas já vem escrito de quanto é o imposto.
E olha, se um produto custo CAD 7,87, e voce dá uma nota de dez dólares, acredite, eles devolvem certinho o seu troco e as moedinha de um centavo...
Aqui um centavo é dinheiro sim senhor.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Aqui em Montreal


Finalmente fiz o blog.

Eu tenho uma certa dificuldade com essas coisas de internet, programas, computadores... Só agora, depois de uma semana que eu cheguei aqui é que finalmente comecei a fazer esse blog.
Assim que comprar uma câmera eu coloco umas fotos da cidade, dos treinadores, do pessoal da casa entre outras coisas (em tempo: também ainda não comprei o meu computador, estou usando o do dono da casa...).

Aos poucos eu irei postar algumas coisinhas.

Quando meu irmão viajou no fim do ano passado para cá, ele fez um blog também (http://www.ogaveteiro.blogspot.com/) para que nós, da familia, e os amigos dele pudéssemos acompanha-lo durante esse tempo. Resolvi então fazer o mesmo, é uma maneira de estar perto de toda a família, dos amigos, colegas de trabalho e dos meus queridos e estimados "léchos", durante esse meu periodo aqui.

até breve.