sábado, 29 de novembro de 2008

Meus colegas de casa


Um pouquinho do Brasil aqui

Na verdade nem parece que estou no Canadá e vou falar um pouco porquê: moro na casa de um quebecuan que alugou um quarto para um amigo canadense que é chileno.
E aqui na TV eles só assistem canais de lingua espanhola, e a trilha sonora? Milton Nascimento, Geraldo Vandré, Pixinguinha, Patápio Silva, clássicos da MPB, Silvio Rodriguez, musicas andinas e da América do Sul de modo geral.


Apresentando Normand

Normand Raymond, quebecuan de lingua materna francês. Trabalha como tradutor e sabe falar e escrever em quatro idiomas: francês, inglês, espanhol e português.
Ele é um cara apaixonado pela cultura sul americana, ele toca musica andina e latina e atualmente tem dois grupos de musica latina, um é o Acalanto (http://www.acalanto.org/) e o outro Aukan. É impressionante, ele tem mais de trinta ou quarenta tipos de flautas, grande parte delas feita por ele mesmo.
Cara bem simples, de boa, sussa, fala muito bem todos os idiomas, só no portugues que às vezes não sabe uma palavra ou outra, ou então não faz um uso mais popular ou normal em frases e conjugações.
Detalhe: ele estudou portugues sozinho, através de um livro de gramatica dos anos 60, isso é que é vontade...
Outro dia fui vê-lo tocar com seu conjunto, Aukan, numa festividade realizada pela comunidade chilena em Montreal, com intuito de arrecadar fundos para a construção de uma obra artistica em memória de Salvador Allende. Foi muito interessante ver como as pessoas de outros países da América Latina são politizados e conscientes, pelo que me informei e explicaram, Salvador Allende foi o primeiro presidente da história que foi eleito democraticamente e de caráter socialista, o que obviamente irritou o Tio Sam, que mais uma vez interferiu no quintal dos outros e ajudou, estimulou e financiou a ditadura do Pinochet.
Salvador Allende foi morto.
As pessoas se lembram disso e tudo que significou e o que representa.
Igual ao nosso "glorioso" não?

Um dia desses ele gravou um tipo de CD demo solo, com ele cantando e tocando violão.
Em tempo: o instrumento principal são as flautas, mas canta e toca violão, aliás, que violão... Ele tem um José Ramirez! Que som.


Apresentando Tayo

Gustavo Jara, ou melhor, o Tayo. Explicando, o diminutivo de Gustavo seria Tavo ou Tavito, mas seu vô não gostava do som de Tavo e preferiu chamá-lo de Tayo.
De origem chilena, mas com cidadania canadense, mora no Canadá há mais de trinta anos, veio para cá com dezenove anos.
Ele, assim como seu amigo Normand, fala quatro idiomas: frances, ingles, espanhol e portugues. Só no portugues que ele se perde às vezes, o mais engraçado é que ele tem sotaque de portugues de Portugal!
Tayo possui várias habilidades: trabalha com manutenção e reparo de computadores, faz traduções e cozinha... Vou falar uma coisa, estou aprendendo vários pratos com ele, ele cozinha não bem, mas muuuuuito bem! É uma coisa, eu já aprendi a fazer arroz mexicano, aprendi os segredos de como fazer um bom "steak" (e temperá-lo com cogumelos e vinho branco...), virei um exímio fazedor de omeletes (ok, às vezes a cara não sai bonita mas continua gostoso), aprendi a receita de camarões com atum da Mama Jara (mãe do Tayo) entre outras coisinhas interessantes.
Ele domina vários tipo de cozinhas: vietnamita, italiana, mexiana, chilena, quebecuan entre outras.
Estou tomando cuidado para não exagerar aqui...
Assim como seu amigo Normand, ele é também é apaixonado por música, mas ele é mais eclético: é fã de guitars heros (como eu era quando jovem, no meu início na música) como Steve Vai, Joe Satriani, Yngwie Malmsteen, John Petrucci, Paul Gilbert entre outros do mesmo naipe. Vários dvds e cds do G3, do Malmsteen, Vai, Satriani, Pink Floid, encontrei até o Dr. Sin!
No final do ano ele estará voltando para sua terra natal, o Chile.


Estranha sensação

Assim que cheguei aqui foi um choque devido à vários fatores, mas algo que me chamou a atenção, foi que ao mesmo tempo em que me estava do outro lado do continente, eu me sentia muito em casa e à vontade até com o modo de funcionamento das coisas aqui (com relação à infraestrutura daqui, o sistema de transporte é algo que mais me deixou feliz) eu me senti fazendo quase que uma viagem ao meu passado pessoal: desde que comecei a entrar no mundo do circo, me afastei um pouco da música por diversos motivos (como questão de tempo e condições para poder tocar), e, ao chegar aqui me vi novamente na época da Unesp, da ULM Tom Jobim, do Conservatório de MPB de Tatuí e mais antigo ainda, dos meus desejos adolescentes de ser um "guitar hero": pelo Normand que me lembrou a parte da MPB, do Choro, do Samba e de todos os grandes musicos e instrumentistas brasileiros; e pelo Tayo pela parte do hard rock, do metal, do blues...
Um tem um arsenal de flautas de diversos tipos e um senhor violão José Ramirez, e o outro tem um violão elétrico Takamine, um guitarra semi acústica e... Uma Ibanez JEM - 7! Sim, um lindo modelo do Steve Vai todo branquinho com marcação de rosas no braço, era outro sonho de consumo meu.
Sim, eu também tenho uma JEM modelo Steve Vai, mas o meu é de 1989, da época Whitesnake dele, essa branca é mais poética...

Vamo aqui, seguindo em frente e treinando.

2 comentários:

Celso disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk-los!

Huahuhauhuahua.... muito bom o texto... mostra pro Tayo o Roger Franco, sabe quem é né?

Show de bola... não se acostuma com essa vida que vc vai ter q voltar e vai sentir o baque como eu senti!

Abs e fica com Deus!!!!

Marina disse...

olha que gostoso Suga...amo conhecer pessoas de outras nações!
aproveita este presente mesmo...e que eles vejam Yeshua resplandecer em vc!
abraço amigo!