sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um pouco sobre os números do Cirque de Demain - Parte 1

Nessa edição especial de 30 anos do Festival Mundial do Cirque de Demain, realizada na Tohu, fizeram uma seleção de alguns dos medalhistas das últimas edições do festival.

Bom, então não precisa nem dizer que foi algo no mínimo impressionante.


Enquanto as pessoas chegavam e se acomodavam, o mestre de cerimônia Calixte fazia a recepção do público, ia entretendo fazendo piadas, conversando e até ajudando os mais perdidos a se acharem na platéia.


A abertura foi realizada pelos alunos da ENC Montreal. Quatorze alunos foram selecionados para o número de abertura, foi como um charivari: passagens de acrobacia de solo, contorção, mão à mão, roda alemã, doble trapézio, trapézio em balanço e tecidos.


Um Diabolo diferente

O primeiro número de abertura foi de uma dupla que ganhou a medalha de prata no 25 Festival: a alemã Petroneila Von Zerboni e o sueco Roman Muller, ambos formados pela Scuela Teatro Dimitri de Suisse, uma escola orientada na verdade, mais para o trabalho corporal e do movimento, assim como suas aplicações e possibilidades no trabalho do ator.

Eles começaram a trabalhar juntos em 2002, e algo que diferenciou muito o trabalho deles, foi o fato de usarem o diabolo no plano horizontal. A combinação do tradicional jogo vertical e seus truques com a inovação no plano horizontal mais o trabalho de corpo deles, não poderia resultar em algo que não possa ser chamado de incrível.

Número impressionante, faziam diversas variações com os dois jogando, com um jogando dois, fazendo trocas, giros, roubadas... Sem contar a qualidade da movimentação corporal, eles dançavam com o equipamento, dançavam entre eles e eles com o diabolo.

Tudo muito bem coreografado, sem erros e extremamente precisos com movimentações bem elaboradas, o que só poderia resultar num número unico e impressionante.




Momento de historia

Outra ganhadora da melhada de prata, dessa vez da 18 edição, a francesa Isabelle Vaudelle se apresentou nos tecidos aéreos.

Aluna de Gerárd Fasoli [considerado um dos criadores dos tecidos aéreos, como conhecemos hoje], trabalhando com o Cirque du Soleil no espetáculo Quidam desde 1996, ela fez o número que foi um dos maiores responsáveis pela difusão desse aparelho, que a partir de 2001, 2002 [ocasião também da visita de Pierrot Bidot e Fasoli no Rio de Janeiro] viria a ser a técnica aérea mais praticada no mundo [também devido a ser um aparelho relativamente simples dentro dos aéreos] e principalmente no nosso glorioso, que aliás, viria a contribuir até para o próprio Soleil, fornecendo grandes artistas para os números com esse aparelho, como no caso do La Nouba [como Bel da Silva, Julia Parrot, Karina Mary Silva, Katia Guimarães e a Dani Rabello].

Obviamente a música usada foi a mesma do espetáculo Quidam e foi executada ao vivo com o cantor André Boileau.


Alexandre Kulakov

Um malabarista russo... O que se pode esperar de um russo ou qualquer criatura que faz circo do leste europeu?

Todos sabem que eu admiro malabares apesar se só saber jogar [mal] três bolinhas, e realmente, aro não é algo que eu ache “óooohhh... que coisa incrível...”, normalmente prefiro claves e bolinhas.

Ai me chega um rapazote loiro com uma roupa toda branca, tipo social, com uns aros, ok.

Mas olha, confesso que foi a primeira vez que vi um número de aro que me deixou sem palavras...

O garoto trabalha muito, mas muito, mas muito bem mesmo, nota-se que não há nada por acaso ou aleatório em seu trabalho, eu só percebi a lógica do trabalho e a dificuldade de execução depois da segunda passagem [segundo bloco de execuções, dava para perceber como ele explorava os planos], explico porque: ele começou jogando cinco aros de lado até aí normal, mas depois, os aros mudavam de cor, ou seja, havia um lado branco e outro vermelho, ele ia fazendo as variações de jogo mantendo o padrão e a precisão dos lançamentos, e depois ele fazia a mesma sequência de frente para o público jogando os aros de tudo quanto é maneira: de lado, de frente, girando, descendo para ponte, manipulação e giros...

Um impressionante domínio da técnica.

Link para o video.


Justine et Philippe

Dupla de mão à mão ganhadora da medalha de bronze da 30 edição do Festival.

Formados pela ENC Montreal, o número deles tem um enredo e um contexto bem claro, bem costurado durante toda a aprensentação, tem uma forte carga dramática, número poético e de excelente nível técnico.

Como estavam em casa, tinham um grande público esperando por eles e foram muito aplaudidos após o fim do número.



Dima shine

Esse cara...

Mais uma vez: o que esperar de um russo formado pelo Collège des Arts du Cirque et des Variétés de Kiev [Ucrânia]?

Resposta: mais uma medalha no Festival de Demain, dessa vez, de ouro. Ouro na vigésima oitava edição.

Ele faz um número de equilíbrio sobre as mãos numa espécie de poste, é como se fosse um mini mastro chinês com um suporte em cima para as mãos. Número extremamente bonito, bem construído e de alto nível técnico e criativo: a essência do número é o equilíbrio sobre as mãos, mas ele se utiliza também de elementos da técnica do mastro chinês como bandeiras e pranchas por exemplo.

Desnecessário dizer que além de forte ele era bem flexível não é mesmo?

Para não ficar gastando tempo com palavras: http://www.youtube.com/watch?v=jYiqZ3Bt2UE.

divirtam-se.


Na próxima vez eu falo sobre os outro números do segundo bloco.


Até mais.

Nenhum comentário: