quarta-feira, 4 de março de 2009

Festival Mondial Du Cirque de Demain - após o intervalo...

Emma

A segunda parte começou em grande estilo com duas medalhas de ouro: a ganhadora da medalha de ouro, Emma Henshall e uma outra medalha de ouro para Victor Fomine, seu treinador, em reconhecimento ao seu trabalho e às suas quatorze medalhas conseguidas pelos artistas que foram treinados por ele, pouco né? Afinal só foram trintas edições do festival...

O número dela é muito lindo, é uma excelente combinação de sensibilidade e emoção [sem ser piegas, exagerado ou falso] com o perfeito domínio da técnica, da explosão e da adrenalina que é um número de técnica aérea em balanço.

Ela é formada pelo NICA da Austrália, mas logo depois foi para Montreal onde começou a treinar com o Victor, isso durante dois anos; para a construção desse número ela contou com a ajuda da Elena Fomine e a coreografia de Shana Carrol, uma das fundadoras do 7 Doigts de la Main.

Perfeito domínio do aparelho e da essência do número.

Lindo.


Wei liang lin

Esses chinezinhos...

Jovem garoto, tem aproximadamente uns 20 anos de idade.

Impressionante, “só” isso.

Mais uma vez, não vale a pena mesmo falar da parte artística, é o que todos já conhecem e sabem, ainda mais se tratando de uma criança fazendo, mas nada que comprometesse, aliás, era até menos exagerado e espontâneo que seus outros patrícios que vemos em DVDs, vídeos na internet ou nos circos como os imperiais da China por exemplo.

O diabolo é uma disciplina de manipulação muito popular em países como China e Taiwan por exemplo, e as crianças comecam desde cedo na prática desse aparelho.

Este rapaz tinha um absurdo domínio da técnica e assim como o duo Tr’Espace, ele também executava a manipulação do diabolo no plano horizontal fazendo diversas evoluções e manipulações com o aparelho.

Ele é reconhecido como um dos melhores diabolistas do mundo.


Equilibre sur le main Emo?

Eu e meus amigos assistimos esse festival [Renata, Deco e Marcelo Chokos], e chegamos a conclusão que os emos devem ter surgidos no Leste europeu.

Vejam só, já tinha os irmãos Iroshinikov e já vimos alguns outros números com caras usando chapinha, de preto e muita franja.

No Demain tinha mais um, bem emo mesmo: todo com figurino de gravata, coletinho preto, calça preta, uma franja enorme com muita chapinha, luva preta...

Serguei Tymofieiev, é um jovem rapaz ucraniano que ganhou uma medalha de ouro na vigésima nona edição. Mais um formado pelo Collège des Arts du Cirque et des Variétés de Kiev, extremamente flexível, praticamente um contorcionista muito forte, ele explorava todas as possibilidades de equilíbrio sobre as mãos e fazia trocas muito rápidas entre os braços, cruzando-os diversas vezes e realizando equilíbrios com os braços em diferentes posições e distâncias.

Número bem contemporâneo, tanto em linguagem artistica como em exploração da técnica de outras maneiras, buscando novas possibilidades.




Mais um de casa: Daniel Cyr

Esse quebecoise foi ganhador de uma medalha de prata na vigésima quarta edição do festival.

Nascido em Îles de la Madeleine e formado pela ENC Montreal, ele é um dos fundadores do Cirque Eloize e já se apresentou em diversos festivais e é o criador do aparelho que leva seu sobrenome: Cyr ou Roue Cyr.

O Cyr é um grande aro simples, como se fosse uma roda alemã só com um dos aros.

Pode parecer simples ou óbvio, mas não é, as possibilidades técnicas e efeitos são bem diferentes.

Daniel Cyr também pesquisa e desenvolve outros aparelhos como o l’Etoile [Estrela], um novo aparelho aéreo utilizado no espetáculo Nebbia.



Troupe du Chemin de fer [China]

Chineses, raça que segundo um amigo chamado Paulão [Paulo Barbuto], eles podem ser encaixados na categoria “desenho animado”.

Algo que concordo plenamente.

Se alguém ainda tem alguma dúvida, agora ela será tirada.

Bom, chineses né?

Não vou aqui ficar falando da estética chinesa, da parte artística, figurinos, música, coreografias e blá, blá, blá, porque a gente sabe qual é a parada não é mesmo? Basta dizer que quando entrou quatro chineses com malhas justas parecendo o “esquadrão relâmpago Change man” e uma coreografia que parecia ter saído dos anos 80.

O que interessa é que logo no início o cidadão, segurando a sua tábua para o rola rola, faz um flic para o plano elevado, indo parar em cima do rola que está sobre a plataforma se equilibrando sobre as mãos.

A partir desse momento comecei a ficar preocupado com o que iria acontecer daí para frente, porque se esse foi o primeiro truque...

Dai para frente foi só ignorância: o chinês ficava se equilibrando pelas mãos sobre o rola, girando, pulando, fazendo piruetas...

Como acho que ele não tinha muito o que fazer quando era mais jovem, ele continuou no rola e ficou fazendo sequências de flic em cima do rola, e um monte de outras coisas que honestamente, não entendi direito e outras tantas que não conseguiria descrever.

Depois ele pegou o mini chinês [deveria ser o irmão mais novo, sei lá...] e fez um lançamento fazendo com que o menino fosse direto para um ficar num braço em cima da cabeça dele; depois o básico: um braço, desce para o esquadro, vai para a prancha crocodilo, puxa um espacate... Ah, tudo isso se equilibrando sobre o rola.

Durante a apresentação teve todas aquelas coisas de dificultar o número, colocando mais rola e tal, e perto do final, nas últimas sequências, começaram a fazer algumas coisas ignorantes, como o garotinho chinês fazer equilibrio de rola sendo portado pelo outro e por aí vai.

O último truque era o chinês se equilibrando sobre alguns rolas, e, em cima dele, o outro chinês se equilibrando no rola.

Terminou? Não...

Então o garotinho sobe para o equilíbrio sobre mãos e fica.

Terminou? Não...

Já que não tinham mais o que fazer, o porteur resolveu fazer um giro completo com o chinezinho em cima dele...


Sem palavras.