terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ano Novo... vida velha?

Mais um final de ano, agora vai?

“E ninguém põe vinho novo em odres velhos...”


Lc 5.37


“Jingou béu Jingou béu meeeoooo!”

“How, how, how...”


[não, não é “como” do inglês, é o papai noel falando “rou, rou, rou”]


Mais um ano que se vai e as coisas de sempre...


quais?


Todos nós sabemos! aquelas que a gente sempre diz

Nem tanto as que dizemos para os outros

Mas as aquelas que sempre dizemos para nós mesmos.

sempre juramos

sempre prometemos

sempre planejamos

sempre idealizamos

sempre sonhamos


Sempre a mesma coisa


Alguns ficam pensando nas pisadas de bolas fenomenais que deram nos últimos 12 meses, outros ficam analisando que o ano que está terminando não foi como o que tinham planejado, e um outro tanto de gente fica pensando porque erraram de novo os mesmos erros que nos outros anos não conseguiram resolver...


Porque planejamos tanto e muitas vezes realizamos muito pouco?


Porque alguns de nós nos avaliamos tanto e projetamos tantos sonhos, tantas mudanças que nunca se materializam?


E começa de novo o mesmo ciclo...

Tudo se repete.

Às vezes um pouco diferente, com algumas pequenas variações...

Mas a essência é a mesma.


O problema é o risco de acabar nos acostumando com os mesmos rituais,

as mesmas sensações


Aquele sentimento de sonho não realizado, desejos não feitos


O que acontece?


Como assim?


De novo?


e novamente, mais perguntas.


Não se coloca vinho novo em odres velhos (3)...


Talvez, a gente possa pensar em:


“Não se tem vida nova com hábitos velhos...”


Não seria isso?


Será possível simplesmente querer mudar “a vida” de uma hora para outra sem encararmos nós mesmo?

Sem enfrentar de frente nossas limitações, nosso defeitos e nossos problemas?

Aliás, às vezes parece que a gente quer continuar com nossos “probleminhas de estimação”... Nunca nos desapegamos deles.


Quer algo novo?

Quer mudanças?

Quer renovação?

Implica em ter atitude,

Tomar decisões,

ter coragem.


Se encarar.


Como podemos querer mudar nossas atitudes, nossas reações e nossos relacionamentos simplesmente “querendo”?

Não basta querer.

Não basta só ter “muita vontade”

Tem que transformar em ação.

Se materializar.


Como disse William James,


“... a maior descoberta [...] é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”


Iremos conseguir mudar aos poucos a nossa vida, o nosso viver, assim que conseguirmos mudar as nossas atitudes, as nossas ações diante dos fatos que vêem ao nosso encontro no dia a dia.


Seja

“...na rua, no trabalho, na escola, na loja, na padaria, no posto, na rodovia, na congregação. Que haja em nós o mesmo sentimento...” (2)


Em todos os lugares.


Nas mais diversas situações.


Que seja um período realmente de renovação


Que mais do que termos consciência do que não nos agrada, que possamos ter atitude, decisões frente à elas.


Vamos colocar vinho novo em odre novo...

Novos hábitos, novas atitudes para uma vida nova.

Cristo mais uma vez, nos deixou um grande ensinamento para nossas vidas.


Que você se renove


que tenha atitude


que venha mais um ano.


Com esperança


realização de projetos


sonhos


mudanças boas



amor.



(1) Ok, me perdoem meu grande senso de humor [agradeço à queridos amigos como Ricarinho, Rica e Célia por me inspirarem a fazer essas fantásticas “piadas”].


(2) tomei a liberdade de pegar esse trecho da música do João Alexandre, “Coração de pedra”.


(3) Odres

Os odres eram bolsas de pele de cabra, costurada nas extremidades, para ficar impermeáveis. Pelo fato de o vinho novo fermentar, deveria ser colocado em um odre novo e maleável, pois tendo se tornado inflexível, a pele do odre antigo estouraria e derramaria o vinho novo. Como odres velhos, os fariseus eram muito rígidos para aceitar a Jesus, que não poderia ser contido pelas tradições e regras humanas.

[extraído da Bíblia de Estudo - aplicação pessoal]


domingo, 13 de dezembro de 2009

"Tirando pedras" ou "Onde está cheirando mal?

“Disse Jesus:

tire a pedra.

Marta, irmã do defunto disse-lhe:

- Senhor, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

Disse-lhe Jesus:

Não tinha te dito que, se creres, verás a glória de Deus?”


João 11.39


Coisas mortas fedem.


Ok, agora uma breve pausa para os aplausos dos leitores maravilhados com essa fantástica afirmação.


Mas... que tipo de morte fede, cheira mal?


Quando falamos do corpo, é bem evidente e muitas vezes visível. E se pensarmos em outras áreas da nossa vida?


“Morte” em... projetos?

Sonhos, ideais, emoções, sentimentos, sensações...


Desejos, relacionamentos.


“Morte” em amizades, em parcerias.


Morte em nós mesmos.


Para facilitar a nossa vida, podemos separar a nossa vida em três tipos de “vida”. Assim talvez possamos entender e nos compreender melhor, podendo identificar em qual [is] realidade [s] nós ou nossos amigos estamos “mortos”: Física [nosso corpo que faz tornar real nossas vontades], Alma [sentimentos] e espiritual [nossa capacidade de contato com uma verdade superior e eterna].


Sempre é bom fazer perguntas.


Estou cheirando mal?


Será que tem alguma área da minha vida que está cheirando mal há algum tempo?


Será que já morri e não me dei conta? Estou “morrendo”?


Será por causa das decisões que tomei [ou não...]


O que uma morte em determinada área pode causar?

Quando alguém querido morre, não temos mais as expressões de carinho dessa pessoa, por exemplo.

E nas outras áreas? Quais são as consequências?


O que mortos fazem? Nada.

[pausa para vocês refletirem na minha sábia resposta]


ou melhor, só fedem.


Mortos não tem ação, não reagem.

Não reagem ao convite da vida, ao amor de Deus.


Mortos não podem demonstrar amor.

Não tem como se incomodar com o amor e preocupação que os outros têm.


Quantas pessoas próximas de nós já estão há bem mais de 4[1] dias mortas...


O que podemos fazer?


“Disse Jesus: Tirem a pedra”


Tirar a pedra do túmulo dos outros.

Nós podemos e devemos ajudar a tirar as pedras que estão enterrando sonhos, vontades, desejos e a VIDA das pessoas.


“...tendo as mãos e o pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: desligai-o e deixai-o ir”.


Outras tantas vezes, precisamos ajudar a tirar as faixas, as ataduras que prendem as pessoas.


“...rosto envolto num lenço...”


Remover as faixas que imobilizam as atitudes, as ações, a manifestação da vida.

Ajudar que os outros possam tirar os “lenços” que cobrem o rosto, a visão [é bom ajudar os outros, já que podemos muitas vezes precisar de uma mão amiga...].


Tirar as faixas, as ataduras, os lençóis da religiosidade,

do egoísmo

da hipocrisia

do desânimo

da falta de conhecimento

da falta de coragem

da falta de esperança

da falta de amor


“...SE crer, verá a glória de Deus...”


e fé para acreditar que as coisas podem mudar.


que o mundo, NÓS, podemos ser pessoas melhores.


Que tenhamos sabedoria e o amor necessário para identificar as “mortes” da nossa vida e dos outros.


Que possamos remover as pedras e ataduras que paralisam, interrompem a vida.


Com amor.



observação:

[1]: na tradição de algumas comunidades judaicas da época, havia um conceito que a alma deixava o corpo depois de três dias após a morte.