sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Como recebemos uma má notícia?




Como você reage quando recebe uma má notícia?


Vou reformular: como você fica e reage [ou não...] quando recebe uma má notícia?


Melhor: como você fica e reage [ou não] quando recebe uma notícia triste e péssima?


Qual é a nossa atitude diante de fatos que mais do que serem simplesmente tristes ou ruins, nos dizem respeito? São relacionados diretamente aos nossos sentimentos, às pessoas que amamos e às coisas que nos são caras?



“Jesus, ouvindo isso [morte de João batista], retirou-se dali num barco para um lugar deserto, apartado; e, sabendo-o o povo, seguiu-o a pé, desde as cidades.

E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos.”


Mt. 14.13-14



Para quem não sabe, João Batista era mais que um simples amigo de Cristo: além de tê-lo batizado nas águas, foi um grande pregador e profeta no seu tempo e era seu primo.

Um parente próximo.

Alguém querido,

que era importante,

que se preocupava com as pessoas.

Que fazia parte de algo maior.

Para ajudar as pessoas, ensinar, consolar, amar.

[Ok, ok... Sim, vou pular a parte que ele era um cara no mínimo “estranho”: além de gostar de ficar andando pelo deserto, se vestia com peles de animais e tinha uma dieta bem equilibrada que incluía gafanhotos. Os amigos de Cristo eram realmente.... Diferentes.]


Uma pessoa boa, de caráter idôneo, querida e que era do mesmo sangue, morreu.

Morreu injustamente.

Por nada.

Não fez nenhum mal.

Aliás, procurava sempre fazer o bem e ajudar.

Mas foi assassinado.

Cruelmente e covardemente.

Sem julgamento, apenas por capricho


Como você ficaria?


Qual seria sua reação?


“... retirou-se dali [...] para um lugar deserto...”


Algumas vezes, em momentos de profunda dor e tristeza, precisamos ficar sozinhos.

Não nos isolar, mas precisamos um tempo para nós.


Momentos de solidão.


Às vezes as nossas muitas ocupações, as ligações que temos que retornar, os emails que temos que responder, o trabalho para terminar, o curriculum para atualizar, a visita social para fazer, ver faturas dos cartões e do banco, as muitas contas a serem pagas, agendar a consulta o médico, impostos e mais impostos...


Os nossos afazeres do dia a dia ocupam a nossa atenção, a nossa mente e acaba que podemos acabar não dando a devida atenção para o que, em determinado momento, pode ser realmente importante e urgente.


“... apartado...”


Segundo o Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, apartado pode significar [1] desviado do caminho; afastado. [2] Longínquo, remoto.


Quantas vezes, por passar por situações desagradáveis ou horas difíceis, dizemos para nós mesmos ou desabafos que tudo que gostaríamos era de sumir, desaparecer?


Quando momentos ruins vem, precisamos não só ficar sozinhos um pouco, mas também nos distanciar.


E o sossego dura pouco


“... o povo seguiu-o...”


Mas veja que coisa: quantas vezes, nós, nos nossos problemas e dificuldades, remoendo nossas dores e frustações, estamos quietos no nosso canto e chega alguém... Querendo contar algum problema, alguma dor ou simplesmente desabafar?

E como nós respondemos?


“aaahhh... mas você não sabe o que aconteceu COMIGO”

“ viiiixxxiii.. mas o MEU problema...”

“Se você soubesse o que EU estou passando...”

“Mas você não sabe o que falaram PARA MIM...”


Parece às vezes, que é nos piores momentos que nossos amigos, familiares ou colegas veem atrás de nós...


“... viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”



Muitas vezes, certos problemas ou situações, aparecem na nossa vida em “horas erradas”, em momentos não tão ideais [como se existissem condições e horas certas para determinados acontecimentos].


Apesar do momento difícil pelo qual estava passando, ele se importava com as pessoas, tinha amor, compaixão, se identificava com os problemas delas.


“... viu uma grande multidão...”


Todos nós temos problemas não? E não são poucos...


Você conhece algumas pessoas que estão passando por momentos difíceis?

Não sabe? Vocês conversam sobre o que então?

Nunca se interessou?


Ahn...


ok.


“... possuído de íntima compaixão....”


Sentimentos.

Identificar-se com a dor de outras pessoas

Se emocionar, ser tocado, se sentir triste pelas tristezas e problemas que outros passam.

Compreender o estado emocional de alguém.

Com... Paixão?


Ser humano.


“...curou os enfermos...”



E o que fazemos à respeito disso?


Curar.


Ajudar quem precisa.


Qual sua atitude?

A atitude mais fácil que tomamos é simplesmente ignorar?

Ou então nos auto justificarmos dizendo que nós passamos por coisas muito mais difíceis?

Quem sabe alguns gostam de se colocar como quase nada, se julgando incapazes de poder fazer algo por alguém?

Não seria na verdade uma desculpa fácil?

Assim conseguimos nos eximar de qualquer responsabilidade e ainda, de brinde, passamos a imagem de “guerreiro sofredores que também tem problemas”.


Ou ainda... Por você mesmo, por nós mesmos, que tenhamos uma atitude, uma resposta frente aos acontecimentos e ao dia a dia desse mundo, dessa sociedade que nos cerca.


Que possamos mudar.


Vamos ser mais humanos


ter novas respostas e novos comportamentos para os acontecimentos


desenvolver hábitos diferentes.


Nos identificar com as dores e os problemas dos que sofrem de qualquer coisa, com qualquer problema.



E curá-los,



ajudar quem precisa.



com amor