domingo, 14 de novembro de 2010

Estamos enterrando nossos... Talentos?


Jesus tinha algumas características bem peculiares.

Uma delas era que o seu modo de viver com as pessoas e colocar em prática a essência da bíblia e ensinar o Seu modo de viver, era [entre outras formas] através de parábolas.

Ou seja, para termos uma compreensão da essência desses ensinamentos, temos que lê-los e compreendê-los no contexto em que estão inseridos e saber que são parábolas, e que Jesus tinha um carisma incrível [ok, era Deus, isso conta muito...] e era um grande contador de histórias, ou seja, um professor, um rabi, um mestre.

Nessa parábola conhecida como “Parábola dos Talentos”, traz alguns aspectos da vida muito interessantes e que, todos nós, uns mais outros menos, nos encaixamos.


Resumidamente, essa parábola trata do seguinte:


Um determinado senhor, antes de fazer uma viagem dividiu seus bens entre seus três funcionários, dando para um 5 talentos, a outro 2 e para o último 1, segundo a capacidade de cada um deles.

E depois de um tempo retorna, e na volta ele quer saber de cada um o que aconteceu com o talento que foi deixado com cada um deles.

O que tinha 5 conseguiu ganhar mais 5 assim como o que tinha dois talentos, conseguiu negociar com eles e ganhar outros dois.


Mas o que tinha recebido só um, simplesmente escondeu debaixo da terra o que tinha recebido para cuidar.


O senhor desses funcionários ficou muito feliz com os dois primeiros e decepcionado com o terceiro.

E este, acaba sendo castigado.


O que isso nos diz respeito?


Tudo.


Antes de mais nada, talvez algumas informações possam ser úteis para uma melhor compreensão do que foi lido:

1 talento = 6 mil denários [moeda corrente da época] = equivalente a aproximadamente 20 anos de trabalho.


Bom, com isso já dá para perceber algumas coisas não?


Acredito que não cabe aqui dissecar totalmente o texto da parábola e fazer análises textuais, históricas ou preciosismos acadêmicos, vamos tentar ser mais simples e diretos.


Todos nós, num maior ou menor grau, somos iguais ao terceiro funcionário.

E em alguns momentos da nossa vida, somos idênticos.


Poderia começar falando aqui dos nossos “talentos”.

Apesar de originalmente, essa palavra ser referência à uma unidade de medida financeira, essa palavra também significa dom natural, habilidades, aptidões e até mesmo capacidades diferenciadas e únicas.


O que nós fazemos com nossos “talentos”?


Muitas vezes não somos assim também?


“ahhh... mas isso é injusto... pô meu! olha só: o cara ficou com medo! você não leu que ele disse que o Senhor dele era duro e bravo... isso foi injusto!”


Grande equívoco.


Pense comigo:

Você acha realmente que alguém, por mais rico de fosse, daria para qualquer um a quantidade de dinheiro equivalente a 20 anos de trabalho?


Vamos brincar? vamos considerar o salário mensal de um trabalhador de um país justo socialmente e coerente, o nosso Glorioso.


Salário Mínimo: R$ 510,00


Um ano de trabalho: R$ 6.120,00

Vezes 20 anos: R$ 122.400,00


Valorzinho razoável não?


Esse trabalhador, foi extremamente negligente e errou feio e não só em um único aspecto, mas em vários!


Como alguém pode confiar tanto dinheiro a seus funcionários e ser duro? ser alguém implacável, ruim, mal intencionado?


A partir daí já podemos ver o primeiro erro desse funcionário”


  • não conhecia realmente seu chefe, seu líder.


Aqui não cabe a desculpa de ser “novo funcionário”, seria uma justificativa estúpida contra o texto, uma vez que pela lógica, para ser alguém de confiança, deve ter um bom tempo de vivência. Ou seja, a desculpa do funcionário é extremamente esfarrapada.


Quais foram os equívocos cometido pelo funcionário?


  • negligente: não teve o mínimo cuidado necessário com algo de valor que não era dele;
  • não valorizou o que tinha: como ter tanto em suas mãos e não fazer nada? nem o óbvio que seria colocar num banco, ele o fez! [ver Mateus 25.27] Talvez tenha pensado: “Ah, Ele deu 5 talentos para um 2 para outro... 1 para ele não é nada!;
  • Improdutivo: simplesmente esconder algo na terra, que NÃO É para ser feito... [uma semente foi feita para ser enterrada, não dinheiro...];
  • “em cima do muro”: talvez ele tenha achado que ao enterrar o talento, ficaria numa posição neutra [como alguns políticos nossos] e se algo desse errado, não precisaria se desculpar, uma vez que ele NÃO TOMOU ATITUDE NENHUMA.
  • Sem o mínimo de iniciativa: mostrou descaso total com a função que lhe foi destinada.



“Poxa vida... e se ele realmente não conhecesse seu patrão? E se ele realmente acreditou que o senhor dele era assim?”


Ok, se ainda assim, quisermos pensar nesse argumento, podemos ver que ele tinha algum problema, porque ficar tanto tempo com uma pessoa e ter uma visão distorcida dela... é algo no mínimo complicado.


Poderia ficar aqui falando de diversas habilidades que nós mesmos reclamamos:


“como gostaria de ser rico...” [oba!]

“nossa! como sou fraco... não sou forte!”

“puxa vida... sou tão duro! gostaria de ser flexível!”

“não levo jeito para música... não toco tão bem quanto gostaria.”

“como gostaria de ser mais espiritualizado...”

“eu gostaria de ser mais inteligente...”

“sou alto/baixo demais...”

“sou gordo/magro demais...”

“tudo é chato, é difícil, é complicado...”

“não vejo graça em nada, não tenho interesse em nada...”

“nossa... não sei se caso ou compro uma bicicleta!”


... e por aí vai...


Mas na verdade, tenho em mente, um talento, um dom, que TODOS que estão lendo essas palavras, tem:


O DOM DA VIDA.


Muitas vezes reclamamos da nossa vida, resmungamos do nosso trabalho, da faculdade, do vizinho, da sogra, do cachorro, do motorista do ônibus, da tia da cantina, do banco, do amigo, da vendedora, do padeiro, do açougueiro, da internet, do... da... e... enfim...


O que estamos fazendo com nossas vidas?

Estamos enterrando nossa vida?

O que realmente estamos fazendo de produtivo com ela?

Estamos fazendo ela multiplicar, dar frutos?

Quais desculpas nos temos para nos justificar de tudo?


Até quando?


Que não enterremos nossos dons, nossos talentos.


Ela é o maior valor que temos, que nos foi dado.


Não enterre sua vida.


Ame-a.


Observação:

Para melhor entendimento dessa parábola, conferir:

Mateus 25. 14 - 30

E depois de estudar, comparar com:

Lucas 8.18, 16.10

Mateus 13.12

Marcos 4.25