sábado, 18 de junho de 2011

Partilhando uma experiência pessoal ou Alguns toques interessantes...









Postura é fundamental.

Tem uma detalhe importante que vai além da estética simplesmente... Como se diz na sabedoria popular, “é desde cedo que se torce o pepino”.

Porque isso? Porque os técnicos e professores russos são tão exigentes com postura? só para ficar bonitinho? só porque eles querem que o artista circense pareça um bailarino aéreo ou um equilibrista bailarino?

Na verdade existem muitas questões técnicas envolvidas...

Claro, beleza é fundamental e o domínio corporal demonstra também um alto nível técnico e de propriedade sobre o que se faz, sobre o ofício da arte.

Para exemplificar um pouco isso, vou dar como exemplo algo simples [porém dolorido] que aconteceu comigo:

Tem um exercício nas faixas que é o Casonzet [ou Nut Cracker], que basicamente é ficar em suspensão com um braço e inverter o corpo inteiro realizando um esquadro afastado mantendo o braço em suspensão entre as pernas [resumindo numa linguagem menos técnica e mais simples: ficar de ponta cabeça com as pernas abertas e o braço entre as pernas].

Durante as séries de treinamento desse exercício, sempre devemos manter a postura: joelhos estendidos, braço que está livre [o não preso, o que não está segurando as faixas] estendido colado ao lado da cabeça e para cima e, mais importante: não JOGAR A CABEÇA PARA TRÁS, ficar com a cabeça na postura natural o tempo todo.

Mas as pessoas pensam e afirmam às vezes:

“é só um exercício de força... uma vez ou outra não tem problema...”

Dependendo do caso e da situação pode até ser... uma meia verdade.


Como se diz uma máxima no meio artístico: a gente apresenta o que a gente ensaia.

Principalmente no circo, a frase “jogo é jogo e treino é treino” não se aplica [não existem “Romários” em circo e ginástica artística], você vai fazer na apresentação e nos exercícios mais díficeis, exatamente o que você vêm treinando, seja com o joelho um pouco dobrado ou com um dos pés largados [sem estar em ponta por exemplo].

Pois bem... confesso que certa vez, há um tempo atrás, nas últimas repetições do Casnozet, eu não prestava tanta atenção, afinal “era a última repetição da última série”, “hoje estou muito cansado”, “é o último treino da semana...” e por aí vai a extensa lista de desculpas e justificativas.

Vejam só...

Passou algum tempo e comecei a treinar faixas com balanços para a entrada das pranchas Drapeau.

Depois de feito o processo inicial do aprendizado do balanço com a técnica correta e os tempos certos, o primeiro passo é entrar no casnozet.

Esse era praticamente o último exercício das minhas aulas com o Yury, logo, um pouco cansado. O que eu fiz um belo dia? Fui querer montar o casnozet jogando a cabeça para trás... Guess what?


Dei um baita tranco nas minhas costas... estralou tudo do pescoço até a lombar.

Graças a Deus consegui ainda treinar para o outro lado, um pouco de massagem, alongamento e repouso e no outro dia já estava melhor.

Mas poderia não ter sido tão “agradável”.

Às vezes a gente aprende da pior [ou mais dolorida] maneira.

Pessoal...

estica o joelho

estica o pé

não joga a cabeça para trás!


paz e sucesso a todos

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